terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A PERTENÇA Á FRATERNIDADE


tirada do site www.iesuscaritas.org/pt

Fraternidade é grupo de irmãos. Quando nos sentimos e somos irmãos, somos fraternidade.


A Fraternidade Sacerdotal Iesus Caritas, no âmbito das Famílias de Carlos de FOUCAULD tem uma dinâmica própria, de sacerdotes diocesanos, que cada fraternidade estabelece e que todas as fraternidades adotam desde o Diretório.
Para pertencer a uma fraternidade, os elos de amizade, conhecimento mútuo, as motivações para a confiança e a sinceridade, as atitudes de fé e de escuta, têm que se ir consolidando, pelo contrário não seria mais que uma pertença a um grupo de bons amigos, ou a um grupo de socorros mútuos, quando não algo de caráter sectário, elitista ou espiritualista.
Isto se vê em atitudes fundamentais próprias de qualquer grupo humano sério.
Estas atitudes poderiam ser as seguintes:
  1. EMPATIA. Pôr-me na pele do outro, pôr-me no seu lugar. Isto me permitirá compreender e aceitar os outros. Esta atitude descentra-nos dos nós pessoais que nos encerram em nossas opiniões, ideias fixas, etc.
  2. ESCUTA. Abrir os ouvidos do coração para escutar a voz do Senhor nos irmãos, para que se sintam pela sua vez escutados e cada um seja atendido.
  3. TRANSPARÊNCIA. Se não me deixo ver por dentro, também não saberei ver os outros. A sinceridade, a honradez na comunicação, não julgar nunca, são sinais de transparência nas pessoas.
  4. RESPEITO. Sinônimo de amor e de amizade, de preocupação pelo outro, de aceitação como ele é. Quando existe o respeito, no se trata só de boa educação, mas de flexibilidade nas relações e bom entendimento. Quando se perde o respeito, perde-se a verdadeira amizade, o amor, o espírito de trabalho em equipe e as relações deterioram-se mortalmente.
  5. ENTREGA. Darmo-nos gratuitamente aos outros, oferecer o melhor de si mesmo, sem esperar prêmios, sem passar fatura depois por tudo o que fizemos. Amor gratuito e desinteressado.
Até aqui poderíamos falar de um grupo humano compacto e ao mesmo tempo aberto. Compacto em suas convicções e aberto a melhorar, a admitir as críticas e inovações, aberto a novos membros e a novas ideias.
A Fraternidade Iesus Caritas tem características e atitudes que todos conhecemos bem, encaixadas no carisma do irmão Carlos e na espiritualidade do evangelho: a vida fraternal, o deserto, a revisão de vida, a adoração, o Mês de Nazaré, a opção pelos últimos, a contemplação na vida, a vida de Nazaré como forma de vida e convívio e, por sua vez, como estilo pastoral.
Sabemo-lo todos muito bem. Mas seria necessário fazer uma boa reflexão sobre o empenhamento pessoal, que está vinculado á vocação recebida, e o comunitário – no âmbito local ou nacional – do que é específico de nossa Fraternidade e que passa por um compromisso desde o coração com os irmãos, seres humanos, não só com o Senhor em quanto sacerdotes ou homens consagrados.
Perante isto, sugiro os seguintes apartados:
  1. FRATERNIDADE E COMPROMISSO EVANGÉLICO. A Fraternidade aproxima-me do Evangelho? Ajuda-me a estender o Reino? Partimos de nossa vocação cristã de seguir Jesus desde o nosso batismo, que se renova com a confirmação e se torna sólida na ordenação, não como uma profissionalização, mas como serviço ao Povo de Deus e á sociedade. É a minha fraternidade um sinal do evangelho na minha diocese, na minha igreja local? Não nos situamos á margem como uma elite.
  2. FRATERNIDADE COMO MEIO DE EVANGELIZAÇÃO. Sinto-me evangelizado desde a Fraternidade, desde cada irmão? Sinto-me chamado não só a viver o Evangelho, mas também a anunciá-lo com a vida – ponto chave no carisma do irmão Carlos? Como sacerdotes estamos chamados a anunciar Jesus, a dar a conhecer a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos cativos… Não somos profissionais da sacramentalização nem da pregação, no estilo de animadores mediáticos, somos enviados no nome de Jesus. Creio e espero no estilo de Nazaré para evangelizar? Nazaré não é utopia, é o dia a dia no pequeno.
  3. FRATERNIDADE E ESPIRITUALIDADE. É a nossa pertença á Fraternidade um dos meios de cultivo do espírito? A Fraternidade, o carisma do irmão Carlos, é para nós escola de oração, recurso para a vida interior? Temos como Fraternidade uma riqueza de meios invejável no caminho espiritual para outros sacerdotes. Os nossos retiros, encontros, gostam aos que se abeiram de nós por primeira vez. Somos valorados nas nossas dioceses como homens de oração, mas será que isto corresponde á realidade? Não se trata de dar lições, mas de partilhar uma maneira de amar Deus e deixar-se amar por ele.
  4. FRATERNIDADE E AMOR FRATERNO. Sou amigo dos irmãos de fraternidade? Preocupo-me por eles? Sofro com seus sofrimentos e alegro-me com suas alegrias? A Fraternidade não é nenhuma etiqueta eclesial. Não escolhemos o lugar onde estar, põem-nos. Não escolhemos os irmãos, são-nos dados. Ver em tudo isto a voz de Deus, ás vezes custa. Idealizar a minha fraternidade como estado perfeito de compreensão mútua, amizade, é um erro. As pessoas, todas diferentes, tem seus valores e contravalores. Amar os irmãos como eles são é respeitá-los. Isto facilita deixar-se ajudar, escutar, contemplar suas vidas com os olhos do coração, sem julgar atitudes nem acontecimentos, mas interpelando quando for necessário e deixando que nos interpelem. Temos medo que os outros entrem em nossas vidas? A nossa psicologia de homens muitas vezes mascara-nos e geramos defesas.
  5. FRATERNIDADE E LUGAR TEOLÓGICO. É a fraternidade para nós o último lugar? Pode ser tudo isso sinônimo de falsa humildade? Deus é Amor também no seio de minha fraternidade? Os encontros com o Senhor acontecem em muito diversos meios, momentos, acontecimentos. Ás vezes tentamos orar e não podemos; outras vezes é o Senhor quem sai ao encontro y fala ao teu coração. Como é que a minha fraternidade me ajuda e como ajudo eu a encontrar Deus nas pessoas e na vida? É claro para mim que seguir o carisma do irmão Carlos é procura de Deus e aceitação do último lugar? A Fraternidade, os irmãos, muito mais que as estruturas, ou é uma prioridade em nosso tempo e dedicação ou não deixa de ser uma bonita forma de complemento espiritual o de autoajuda.
Pertencer á Fraternidade não é um êxito, é um dom. Comprometermo-nos com ela é continuar comprometendo-nos no trabalho da extensão do Reino.
Todos nós fugimos das etiquetas, tanto as sociais, como as pastorais; não gostamos de ser assinalados no âmbito do clero diocesano como personagens curiosas.
A convicção de sermos chamados por Jesus a servi-lo nos outros, a fazer de nossa vida um anúncio e uma denúncia, compromete-nos a sermos coerentes, a não jogar com dois baralhos.
Consideramos a Fraternidade uma ajuda mais dentro do amplo leque de possibilidades ou ofertas para viver uma espiritualidade séria?
Como me preocupa o andamento de minha fraternidade e das outras fraternidades?
Valorizo e leio as diversas comunicações? Se tiver a possibilidade, acedo desde Internet aos sites das fraternidades? (www.iesuscaritas.org ou outras)
Quanto tempo dedico semanal ou mensalmente á minha fraternidade? Utilizo frequentemente o telefone para saber como estão os outros? Visito-os? Deixo-me amar quando se preocupam também por mim?
Considero minha fraternidade local um pequeno território feudal á margem dos outros grupos ou do resto das fraternidades? Tal vez um reino “taifa” (que ninguém se meta)? Estamos abertos ás críticas, ás inovações no espírito do carisma?
Estou em minha fraternidade como poderia estar em qualquer outro grupo de sacerdotes ou de laicos? Por quê? Que espaços posso compartilhar?
Tenho reparo em falar de fraternidade no âmbito do clero diocesano, em reuniões ou encontros ou celebrações por medo de ser considerado diferente, etiquetado? Por que “aqui si e lá não”?
Para um caso que vos sirva, eis uma reflexão destes dias sobre a pertença á Fraternidade.
Questiono-me eu em primeiro lugar e ofereço esta questão a quem, desta ou de outra forma, quiser refletir.
Para sermos felizes devemos amar o que somos e o que temos, como dom e amor de Deus, como parte de sua herança.
Obrigado.
Aurelio SANZ BAEZA, irmão responsável

sábado, 7 de janeiro de 2017

O MASSACRE DE MANAUS

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
P – No. 0002/17 NOTA DA CNBB SOBRE O MASSACRE NO COMPLEXO PENITENCIÁRIO DE MANAUS Estive na prisão e me visitastes (Mt 25,36)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através da sua Presidência, manifesta seu repúdio e sua indignação diante do massacre de presos ocorrido, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (AM). Nós nos unimos ao arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, e à Pastoral Carcerária, para reafirmar a defesa incondicional da vida dos encarcerados e a solidariedade com as suas famílias. “Manifestamos nosso repúdio contra a mentalidade daqueles que banalizam a vida achando que a mesma é descartável e que se pode matar e praticar todo tipo de crime e violência contra os cidadãos” (Nota Pública da Arquidiocese de Manaus).
O Papa Francisco, na audiência geral desta quarta-feira, 4 de janeiro, referindo-se a esse massacre, afirmou: “Renovo o apelo para que as prisões sejam lugares de reeducação e reinserção social, e que as condições de vida dos reclusos sejam dignas de pessoas humanas”. Nestes três pilares mencionados pelo Papa, estão construídas, há muitos anos, a posição e solicitude da Igreja, diante da realidade de vida dos encarcerados no Brasil: a reeducação, a reinserção social e o respeito pela dignidade humana.
A Igreja tem oferecido a sua contribuição para defesa da dignidade dos encarcerados e promoção da justiça social. Por intermédio da CNBB, manifesta sua disposição de continuar trabalhando, para que se implante uma segurança que proporcione condições de vida pacífica para os cidadãos e para as comunidades.
A Pastoral Carcerária acompanha as unidades prisionais em todo o País e tem, reiteradas vezes, chamado a atenção para os graves problemas do sistema penitenciário: a superlotação e a falta de estrutura das unidades prisionais, a privatização dos presídios, a necessária reeducação e reinserção social dos presos. Nos últimos anos, a Pastoral Carcerária tem insistido na elaboração e execução de Políticas Públicas que contemplem o revigoramento das Defensorias Públicas, Ouvidorias e Corregedorias autônomas, bem como o controle externo das políticas penitenciárias no País.
Pedimos às autoridades competentes a rigorosa apuração dessa tragédia, na sua complexidade conjuntural e estrutural, e, acima de tudo, a busca de um sistema penitenciário mais justo, digno e humano.
Solidários com as famílias das vítimas desse massacre, rezemos, com o Papa Francisco, “pelos detentos mortos e vivos, e também por todos os encarcerados do mundo, para que as prisões sejam para reinserir e não sejam superlotadas”.
Brasília-DF, 4 de janeiro de 2017
Dom Sergio da Rocha Cardeal Arcebispo de Brasília Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília Secretário-Geral da CNBB

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

DESPEDIDA DO MÁRIO FILIPPI

(quem ainda não conhece o pensamento do Pe. Mário, acesse seu retiro aqui ou no nosso site GRITAR O EVANGELHO-SITE

do Dom Edson

Querido irmão!
Querida Irmã!

Partilho com você o testemunho-despedida do querido Pe Mário Filippi,Fidei Donum enviado pela arquidiocese de Trento. Veio juntamente como Pe Cláudio Dalbon e Pe Maurizio Gotardi, em 1996.

Trabalhou 42 anos no Brasil. Iniciou a missão em Santa Maria, RS.Foi pároco, e a seguir, durante sete anos, morou na Vila Matadouro e trabalhou padre operário.

Depois, juntamente com o  Pe Cláudio Dalbon, foi trabalhar no Recife. Quando D.Helder foi para o céu, o arcebispo sucessor expulsou os dois. Transferiram-se para a periferia de Manaus.
Pe Mário acompanhava as invasões. Construía seu barraco no meio das famílias. Reservava um terreno para construir uma capela com a ajuda do Pe Luis Giuliani e do Pe Cláudio.

Retornou à Itália para acompanhar os últimos anos de sua mãe. Quando soube da minha nomeação, em 2009, prontificou-se para ser missionário entre os índios, durante seis anos, em São Gabriel da Cachoeira.

Por onde passou sempre testemunhou a alegria de ser presbítero, o amor apaixonado pelo Bem Amado Irmão e Senhor Jesus, o serviço aos pobres, a fidelidade à Palavra de Deus que sabia transmitir com entusiasmo e encanto.

Pe Mário partiu de São Gabriel da Cachoeira no dia 28 de dezembro. Obrigado, Pe Mário, Marietto, como te chamava tua mãe Amabile! Farás muita falta entre  nós. Sentiremos imensa saudade de ti, da tua amizade, do teu testemunho, da tua alegria. Deus te pague e te dê ainda muitos anos perto dos teus familiares e no ministério pastoral que Dom Lauro, arcebispo de Trento, vai te confiar. E se um dia quiseres voltar, estaremos te esperando de corações e braços abertos.

 DO ALEX

Grande Mario. Lembro bem da mãe dele, na região de Trento, que visitamos em 1992.

      Mario foi um verdadeiro missionário, que soube armar a tenda onde estavam acampados os pobres: sul, nordeste, norte e Amazônia.

     Obrigado, Marietto, pela tua presença e solidariedade entre nós. No teu "descanso missionário", continues missionando desde a Bella Italia. Com tuas orações, pregações, escritos e entusiasmo. Quem sabe outras e outros se entusiasmem a armar as suas tendas no meio do povo.

    Bom Natal para todos (as) e um Melhor 2017, onde a não-violência seja o caminho e o estilo de vida, como nos pede Francisco em sua mensagem.

     Abraços.     Pe. Alex

do padre Gildo

Caros Irmãos!

Agradeçamos à Deus pelo ano que terminamos, que possamos rever os caminhos, avaliar, confirmar, ou mudar a rota para no novo ano.

Que busquemos sempre a meta, no discipulado-missionário, na busca do último lugar, no serviço a todos, na solidariedade com os últimos, procurando
os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, o que veio em Belém-Nazaré, de Maria que deu-nos sua vida, tornando-nos verdadeiramente "Fraternos", e "Filhos"!

Em anexo dois encaminhamentos para seu conhecimento e engajamento, peço a gentileza de vê-los. As sugestões as receberei com alegria.

1) Semana de Nazaré - 08 a 16.07.17 - Quatis-RJ

2) Eleição do Novo Responsável Nacional e também rever os Responsáveis de Região e das Fraternidades..

São encaminhamentos que devem nos envolver a todos e ter a participação de todos, por isso conto com todos, são poucas coisas mas precisam ser assumidos por todos, estar na oração de todos, nos encaminhamentos, nas ajudas.

Para o nosso retiro, de 04 a 11.01.17 - em Luziânia-GO estão 39 pessoas inscritas, o local comporta muito mais pessoas.

Se alguém ainda quiser e puder é só entrar em contato, por este e-mail ou por celular (24)98851-7187 (Whats App).

Lembro também à todos a contribuição com a Fraternidade, que como combinamos é o valor de 10% de seus rendimentos de 1 mês, pode ser depositado na conta da Fraternidade: Banco do Brasil, agência 2922-X; c/corrente 33.670-X MDBPVR - Mitra Diocesana.

Em 2017 convido a todos para buscar os Meios da Fraternidade: Dia Mensal de Fraternidade - Revisão de Vida - Adoração Eucarística - Dia Mensal de Deserto -Meditação do Evangelho - Pobreza de vida e de meios - Solidariedade com os últimos - Participação no Mês de Nazaré - Seguimento de Jesus de Nazaré - etc.

Aos Membros Simpatizantes, que caminham com as Fraternidades há algum tempo os que ainda não fizeram o Mês de Nazaré, sugiro, conforme prevê nossos Estatutos Canônicos parágrafo 3.4, sejam reconhecidos como Membros Temporários, até que possam fazer o Mês de Nazaré, o que deve ser reconhecido pelo Responsável da Região.

O Mês de Nazaré estará acontecendo de 03 a 30.01, em Goiás-GO, com a orientação do Pe Anchieta e diversos colaboradores.

Rezemos uns pelos outros e estejamos em comunhão.

Fraternalmente, em Cristo Jesus, nosso bem amado irmão e Senhor,

Pe Gildo Nogueira Gomes
Responsável Nacional

Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas


DO CARLOS

Muito obrigado, Dom Edson, pelo envio do testemunho-despedida do Padre Mário Filippi. Foi muito bom ler o texto, que é valioso e enriquecedor pela escrita elegante, e principalmente pela mensagem de humildade no relatar com autenticidade e transparência aspectos de sua vida espiritual. A sensação de insuficiência no exercício espiritual, que o Padre Filipi deixa ver no texto, parece sugerir fracasso, mas, ao contrário, revela um esforço enorme e exemplar de busca espiritual.

  À imitação de Charles de Foucauld, que nos confins da Argélia, em Tamanrasset, não converteu ninguém, não fundou nenhuma ordem religiosa, e acabou assassinado por malfeitores em 1º de dezembro de 1916, um aparente fracasso. Nem por isso, ou por isso mesmo, não deixou de ser o "irmão universal", como falou Paulo VI, um exemplo de espiritualidade para quem é ansioso pelo Absoluto.

Fraterno abraço.
Carlos Alberto Alves Marques, aliás, Pila


DO HUMBERTO

Prezadíssimos, a começar pelo "pobre bispo do mato", Dom Edson!

     A despedida do padre Mario Fillippi, que se vai à Itália de tantas glórias e generosidades, traz à cena das emoções, espetáculo de profundo cunho humanístico. Acho que meu último encontro com padre Mário deu-se na esquina da Avenida Rio Branco, com a Valle Machado, defronte a, então existente, Casa Farroupilha, em Santa Maria, pelo início da década de 1980. Ele já vivia seu apostolado engajado na comunidade da Vila Matadouro, zona Norte da cidade, ainda hoje das mais carentes.

      De uma maneira ou outra, desde 1967, acompanhei, como outros da minha geração, a trajetória de doação daquele grupo de jovens padres italianos, que de Trento vieram ao Brasil e mais especificamente à Diocese de Santa Maria, onde deram muito de sua juventude e carisma  sacerdotal.

      Eram Mauricio, Cláudio e Mario, que no novo Zequinha, conviviam com os seminaristas e com os quais exercitavam seu  português. A diocese, ao que lembro, já tinha a experiência de outros padres italianos - Padre Ettore, em Poço Redondo e padre Ezio, em Jaguari, este com destacada e profética atuação, tanto na Diocese de Santa Maria, quanto na de Bagé, onde veio a falecer, em Livramento, tendo atuado, também, em Lavras do Sul.

       Mas, não só o Natal e Ano que está-indo-vindo e as notícias sabáticas do padre Mário em retorno, trazem alegrias e reencontros. O "pobre bispo do mato", com seu carisma, põe em sintonia queridos amigos que o tempo afasta, mas que as lutas da juventude guardam imorredouros na memória afetiva da amizade e do coração.

       Anos atrás, logo do início do episcopado de Dom Edson, foi o reencontro com o querido e, agora, já catarinense, amigo, Jorge Zacarias. Agora, neste final de 2017, a ressurreição do "Guri do Hélio", o querido Pila e que galgou à glória da magistratura com o aristocrático e caçapavano nome de Carlos Alberto Alves Marques. Que alegria! Talvez precisemos de um "ano sabático" para reencontros e vivências, antes que a Outra Itália, a Sempiterna, nos leve a todos, inexoravelmente.

        A sinceridade do padre Mário, mostrando a dignidade do sacerdote no coração do homem, faz lembrar-me uma autor, recomendado e badalado no Seminário, Guy de Larigaudie - que com seu "Estrela de Alto Mar", exercia certo fascínio pelo talento e pela vida que levava, sempre à procura de algo maior e superior. Claro que poderia lembrar muitos outros escritores-guias  dos quais éramos livremente coagidos a gostar e a ler ou ouvir. Destacavam-se Tihamer Toth e Fulton Shen. Mas havia também, na antevéspera do Vaticano II e das grandes mudanças dos anos 1960, alguns autores que podíamos conhecer e ler:  Saint-Exupéry, Emilio Salgari, Carlo Callodi, Edmondo de Amicis, Teilhard de Chardin, Michel Quoist , T. Merton e outros, incluindo brasileiros e portugueses não censurados.

          Guy de Larigaudie, talvez inspirado em Charles de Foucauld, teve uma vida inquieta e inquietante, não conformado e sempre com o pé na estrada, quer literalmente ou quer como metáfora de uma existência desassossegada e provocativa para as mesmices que o rodeavam.
           Somos gratos ao carinho e à dedicação do padre Mário. É positivo e gratificante que alguém, depois de tantos anos servindo ao povo de um outro país, tenha esta possibilidade do retorno ao seu torrão natal. Imagino que isto pudesse acontecer com tantos missionários e missionárias estrangeiros que, longe de suas terras, querências e famílias, possam um dia retornar. E por que não, acontecer também com os que são missionários na sua própria pátria? Imaginem Dom Edson retornando um dia à sua querida Fontana Fredda!
            Falando em retorno, retorno às minhas insignificâncias, mas dando um grande e sincero significado ao Ano Novo que está batendo à porta e desejando que seja de muitas alegrias, bênçãos, realizações, angústias, indagações, sonhos, perguntas e respostas para cada um e os seus, bem como a todos que fazem parte de nossos afetos e lembranças.
             Abraços

 Humberto Gabbi Zanatta

DO CARLOS comentando o texto do Humberto


Saúdo fraternalmente a todos, especialmente ao Humberto, cujo texto me emocionou intensamente. É a verve do escritor e poeta inspirado que esgrima como poucos as palavras na prosa e as emoções na poesia. Agradeço a amável e evocativa referência ao "Guri do Hélio", ao "Pila".  Apenas ressalvo, para quem não me conhece, que se trata de brincadeira do Zanatta que galguei "à glória da magistratura com o aristocrático e caçapava no nome de …".

 Não busquei glória, me aposentei tão logo pude, e me dedico a cultivar jardim, ler e estudar o que me interessa, enquanto desfruto o prazer, que também é missão, de acompanhar a família que formei com a Gládis. Se o nome é "aristocrático", há dúvidas, a família certamente não é.  Era muito pobre e com algumas disfunções. 

Só fui para o Seminário graças à bondade e generosidade do Padre Joselino Serafini, falecido há pouco segundo soube, de quem a dinâmica da vida me afastou, mas que povoa o que chamo meu panteão mental de lembrança dos que partiram antes, onde figuram também na minha evocação diária, os padres Chico Peripolli, Guido Ghesti, Afonso Körbes SJ, Jacó Melz SJ, Ernesto Rüppel SJ, Afonso Herzog SJ, Theo Kipper SJ e outros, cujos jazigos por vezes visito no Cemitério dos Jesuítas em São Leopoldo, junto ao Santuário do Padre Reus SJ.

Obrigado ao Dom Edson por oportunizar esse encontro. Que é virtual, mas importante face à dificuldade da alternativa presencial.

Fraterno abraço, com votos de muitas bênçãos do Alto, nesse Ano Novo, que todos tanto necessitamos.



Carlos Alberto Alves Marques, aliás Pila.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL E ANO NOVO!

F rente a frente convosco, Senhor,
E u me sinto em falta,
L uto na ação social, no amor,
I nerte diante dos males do mundo,
Z eloso por mim, indiferente pelos outros.

N as palhas do presépio me ensinais
me encontrar convosco nos pobres,
T anto nos da matéria como nos do espírito,
A mpará-los, socorrê-los,
L evá-los a conhecer-vos, a amar-vos.

E nsinai-me, Senhor, a amar, a partilhar!

A o ver tanta miséria e tanta dor,
N utro no coração um grande amor,
O ro com ternura, peço-vos perdão.

este mais um Natal em minha vida,
O uço as vozes dos que vos clamam,
V olto-me a vós e vos imploro:

O lhai por todos nós, Senhor,e dai-nos a   vossa paz!