sábado, 25 de fevereiro de 2017

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

Subsídio já está disponível nas Edições CNBB
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou o texto-base da Campanha da Fraternidade (CF) de 2017. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), a iniciativa alerta para o cuidado da criação, de modo especial dos biomas brasileiros.
Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
Ainda de acordo com o bispo, a Campanha deseja, antes de tudo, que o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. “Cultivar e guardar nasce da admiração! A beleza que toma o coração faz com que nos inclinemos com reverência diante da criação. A campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.
Além de abordar a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles moram, a Campanha deseja despertar as famílias, comunidades e pessoas de boa vontade para o cuidado e o cultivo da Casa Comum. Para ajudar nas reflexões sobre a temática são propostos subsídios, sendo o texto-base o principal.
Dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, o texto-base faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões sobre os biomas e os povos originários, sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017. 

Cartaz 

Para colocar em evidência a beleza natural do país, identificando os seis biomas brasileiros, o Cartaz da CF 2017 mostra o mapa do Brasil, em imagens características de cada região. Compõem também o cenário, como personagens principais, os povos originários; os pescadores e o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, acontecido há 299 anos. Além da riqueza dos biomas, o cartaz quer expressar o alerta para os perigos da devastação em curso, além de despertar a atenção de toda a população para a criação de Deus.
Adquira o material da CF 2017 no site das Edições CNBB.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

TZVETAN TODOROV

Tzvetan Todorov, o pensador da solidariedade social
“A barbárie consiste em negar a humanidade plena dos outros, dos que não se parecem conosco. Observamos suas manifestações em todas as épocas, em todas as partes do globo, portanto é uma possibilidade oferecida à espécie humana. Mas, evidentemente, não é uma necessidade - é inclusive o sentido profundo da palavra "civilização": a capacidade de reconhecer a plena humanidade dos outros. Todo ser humano pode alcançar a civilização”, disse  Tzvetan Todorov.
A mais recente obra do filósofo búlgaro Tzvetan Todorov, que faleceu a 7 de Fevereiro de 2017, aos 77 anos, em Paris, chega agora às livrarias portuguesas a 21 de Fevereiro, pela chancela do Grupo Almedina, Edições 70. Os Inimigos Íntimos da Democracia é um livro com sete capítulos e oferece um contributo valioso para discutir os conceitos de liberdade e de democracia na sociedade contemporânea.
Filósofo, linguista, sociólogo e crítico, Tzvetan Todorov nasceu em Sófia, na Bulgária, em 1939, tendo uma longa obra sobre política e linguagem. O autor é um nome incontornável no catálogo das Edições 70 e nas Ciências Sociais e Humanas, repensando as questões fundamentais da atualidade. Diretor de Investigação do Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS) de Paris, em Os Inimigos Íntimos da Democracia o autor procurou examinar a história do século XX, acabando por descobrir que, com o colapso da União Soviética e do comunismo mundial, os inimigos da democracia não estão fora, mas dentro dela.
Enquanto historiador das ideias e teórico da literatura, Todorov reflete sobre os paradoxos da liberdade, os grandes inimigos da democracia e vários momentos-chave da história contemporânea: a ascensão do comunismo, a guerra do Iraque, a guerra do Afeganistão, as primaveras árabes, as questões de moralidade e justiça, o neoliberalismo, a identidade nacional, entre outros temas. Uma vez que viveu um terço da sua vida na Bulgária comunista, parte também da sua experiência pessoal para discutir estas questões.
Na obra, não só é referido o aumento verificado do populismo, como também dos meios de comunicação social e de uma demagogia sólida, que o autor define como “identificar as preocupações da maioria e propor alivia–las recorrendo a soluções fáceis de entender, mas impossíveis de aplicar”.
Embora não seja o primeiro autor a afirmar que os inimigos da democracia se encontram dentro desta, não devemos descurar a sua posição quanto ao terrorismo. Na obra, Todorov demonstra a sua renúncia à frequentemente citada “ameaça terrorista”, afirmando que o terrorismo islâmico (ou jihadismo) não é um candidato credível para o papel do inimigo, papel esse que era anteriormente desempenhado por Moscovo.
Tzvetan Todorov (1939-2017) frequentou os cursos de Filosofia da Linguagem ministrados por Roland Barthes, um dos mais respeitados teóricos do estruturalismo publicado nas Edições 70. Foi professor da École Pratique des Hautes Études, da Universidade de Yale e diretor do Centro Nacional de Investigações Científicas de Paris (CNRS). Publicou um número considerável de livros que estão hoje traduzidos em 25 idiomas e produziu uma obra vasta na área de linguística e da teoria literária. O pensamento de Todorov direciona-se, após os seus primeiros trabalhos de crítica literária sobre poesia eslava, para a filosofia da linguagem, numa visão estruturalista. Em 2008 foi vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias de Ciências Sociais por representar “o espírito da unidade da Europa, do Leste e do Oeste, e o compromisso com os ideais de liberdade, igualdade, integração e justiça”.
Solidariedade à chave da virtude social
 Tzvetan Todorov foi um grande pensador contra o horror do totalitarismo e uma das muitas vozes do século XX que nunca deixou de defender a capacidade humana para a vida moral, mesmo nas situações mais extremas. Ou seja, a situação dos campos de concentração nazistas e os Gulags soviéticos (Gulag era um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética).
Em seu famoso livro “Em Face do Extremo”, o autor reconstrói, com base em documentos e testemunhos, o rico repertório de atos não heroicos, mas comuns, de dignidade, compaixão e cuidado que tornaram possível a sobrevivência no campo de concentração e no Gulag.
O trabalho de Todorov sobre estas questões apresenta as virtudes cotidianas e comuns como base viável e acessível para a moralidade contemporânea.
Ao contrário de alguns de seus contemporâneos, que alegaram que para sobreviver nestes casos todas as classes de vida moral tiveram que ser abandonadas, Todorov reuniu uma quantidade impressionante de testemunhos que apontam em uma direção totalmente oposta: “os que sobreviveram sempre dependeram da ajuda do outro o que torna a solidariedade à chave da virtude social”.
Não há dúvida, o pensamento de Todorov é de uma profundidade colossal. No contexto do século XX, considerado o século da maior carnificina da história da humanidade, ele pensa na visão solidária  e no conjunto moral da dignidade da pessoal humana. Estabelecer tal pensamento requer vivência na sensibilidade, coerência no sentido da vida e a razão epistemológica  na antropologia dos valores sociais. Liberdade do ser e a democracia digna que faz jus a uma sociedade justa, de paz,  fraterna e de direitos garantidos para bem de todos.
Hoje mais do que nunca precisamos pensar e agir urgentemente com força solidária diante de muitas indústrias da morte. Somos assombrados por tantos males que só a união solidária nos garante a certeza de mudanças em prol da vida livre e feliz. Viver em paz.
Frei Inácio José do Vale
Sociólogo em Ciência da Religião
Professor e Formador da Congregação dos Irmãozinhos da Fraternidade de Charles de Foucauld

Fontes:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O AMOR NO ESFORÇO ECUMÊNICO


O AMOR É O MOTOR DE TODO ESFORÇO ECUMÊNICO

“A história da Reforma, cujos quinhentos anos se comemoram este ano, é marcada não somente pela redescoberta do Evangelho da graça gratuita de Deus, mas também por divisões dolorosas”, disse o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, na saudação ao Papa Francisco no final das Vésperas celebradas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, por ocasião do encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no Hemisfério Norte. 
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2017, que no hemisfério norte é celebrada de 18 a 25 de janeiro, foi  evocado os 500 anos da Reforma protestante, iniciada pelo padre  agostiniano alemão  Martinho Lutero. No Hemisfério Sul, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada entre Ascensão e Pentecostes.
O cardeal Koch recordou um trecho da declaração conjunta, assinada pelo Papa Francisco e pelo Presidente da Federação Luterana Mundial, o Bispo Munib Yunan, em Lund, na Suécia, em 31 de outubro de 2016: “Ao mesmo tempo que estamos profundamente gratos pelos dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma, também confessamos e lamentamos diante de Cristo que luteranos e católicos tenham ferido a unidade visível da Igreja.”
“O arrependimento e a purificação da memória histórica devem se realizar sob o signo da reconciliação, reconciliação que nasce somente da iniciativa de Deus e que representa o dom que o Senhor faz aos homens e a todo o universo”, prosseguiu o Cardeal Koch. 
“Ao reconciliar-nos com Deus em Cristo, devemos anunciar a reconciliação de Deus, devemos nos comprometer com a promoção da reconciliação entre os cristãos e nos deixar impelir pelo amor de Cristo”, frisou ainda o cardeal. 
“O amor é o motor de todo esforço ecumênico”, concluiu o Cardeal Koch, agradecendo ao Papa Francisco por ter colocado “o compromisso ecumênico para a reconstituição da unidade dos cristãos” entre as “prioridades pastorais” de seu pontificado: “O verdadeiro amor não cancela as diferenças legítimas entre as Igrejas cristãs, mas as conduz unidas e reconciliadas a uma unidade mais profunda” (1). 

Relações Baseadas no Amor

No ecumenismo o diálogo “requer a confiança e a capacidade de olhar para o outro através do prisma da fé” e impõe a renúncia “a toda forma de suspeita e de competição”. Recordou que o diálogo ecumênico “demanda uma maior abertura às exigências do mundo de hoje”, evocando, em particular, o esforço conjunto “para a solução dos conflitos e para a construção das relações baseadas no amor e no reconhecimento da igual dignidade de todos os filhos de Deus”,  afirmou o prefeito do dicastério para o Serviço do desenvolvimento humano integral, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson (2).

Para Uma Profunda Reflexão

Um autêntico diálogo é subjacente a “toda relação interpessoal e favorece a “cultura do encontro” uma Igreja em saída que vai no fundamento do amor da qual o Pontífice tanto fala”. A capacidade de dialogar é atitude de graça que se carrega no coração numa busca de plena comunhão, ou seja, pelo amor de Deus como filhos estamos em concreta comunhão. O amor uni,  reconcilia, congrega e nos salva. O verdadeiro relacionamento com Deus é autêntico com o próximo na conexão da unidade evangélica.
Nosso Senhor Jesus Cristo centraliza todo seu ensino na prática do amor. Sua doutrina é radical no fator: união, comunhão, reconciliação, tolerância e liberdade. É escandaloso, é contra testemunho e traição causar cismas, viver separados e ser intolerante aos ensinos de Jesus de Nazaré. É só no amor que progrida o ecumenismo e a real comunhão ortodoxa. Pelo amor de Deus somos construtores de pontes, instrumentos de paz e missionários da Boa Nova de comunhão. Não há dúvida, o futuro é ecumênico com suas gloriosas realizações eclesiais e sociais.

Frei Inácio José do Vale
Professor e Conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Congregação dos Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Notas:

(2) https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/159e16523b59f404


SER HERÓI OU SER VÍTIMA?


“Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com a escuridão dos outros”.
Carl Gustav Jung (1875-1961)
Psiquiatra, psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica

Quando nós entendemos como protagonistas da realidade que nos cerca, com certeza, deixamos a situação  de vítimas e da nossa própria opressão. Somos libertos de culpar Deus, a família, a sociedade, o mundo inteiro  e a nós mesmos pela atitude sapiencial e amorosa do nosso ser.
Frequentemente, costuma-se dizer aquilo de que na vida só se tem dois finais: ser herói ou ser vítima. Porém, não é necessário chegar a estes sutis extremos. Basta, simplesmente, ser você mesmo. Agora, também sabemos que, às vezes, o desafio complicado de ser você mesmo se choca com os interesses dos demais.
A convivência não é fácil, mas, apesar das dificuldades e das possíveis desavenças, jamais devemos cair no abismo de ser vítimas de nossas próprias histórias, de nossos mapas pessoais. Os golpes da vida são os que nos ensinam a ser resilientes. Se não somos capazes de dar voz às nossas necessidades e resposta aos nossos vazios, seremos como náufragos à deriva nestes mares tão complicados. Assim, lembre-se: seja sempre você mesmo. Seja herói da história que deseja contar aos outros no dia de amanhã.
Começaremos diferenciando, em primeiro lugar, a vítima do vitimismo. Temos certeza de que ao longo de sua experiência, conheceu muitas dessas pessoas que usam o vitimismo. Trata-se de um tipo de manipulação e de gestão emocional realmente destrutivo. Apresentam um tipo de atitude onde projetam a culpa de tudo o que lhes ocorre sobre os demais. O vitimismo crônico é um transtorno realmente complexo que chega a destruir entornos familiares e muitos relacionamentos. Porém, esclarecido esse ponto, vejamos essas situações nas quais habitam as autênticas vítimas. As que atuam com amor e são destruídas apesar de sua nobreza.Esta realidade é muito comum. Pouco a pouco, as pessoas deixam de ser protagonistas de sua própria vida. Porém, o mais complexo é que o fazem por amor, por carinho aos demais.
Você é vítima, mas pode vestir sua armadura e deixar de ser
Você é vítima da falta de respeito, de reconhecimento. É vítima da ausência de afeto, de palavras amáveis. Avança olhando ao seu redor esperando algo. Anseia por consolo, apoio, abraços e um  “obrigado por tudo que você faz por mim”.
Se for isso o que você sente nestes mesmos momentos, é hora de reagir. As vítimas têm uma vantagem: sabem o que é a dor e o sofrimento em silêncio. O positivo de tudo isso é que você é consciente do que não quer.
Conhecer cara a cara nossos demônios nos ajuda a identificá-los muito melhor.
– Se você souber o que não quer em sua vida, exija o que precisa.
– Vista uma armadura nova. Não se trata absolutamente de empunhar uma espada e romper com tudo. Não é preciso cortar vínculos, relações e esses contextos nos que habitamos.
– O bom guerreiro é sábio e tem voz. Coloca limites. Deixa claro que os ama, mas quem ama também merece dignidade.
– Lute por seus espaços. Defenda esses instantes só para você, nos quais pode descansar e se desconectar.
– Se lhe pedirem um favor, não é preciso que, mais tarde, exija que o devolvam. O que você pede é reconhecimento: o faz por afeto e o afeto não deve se humilhar, muito menos se dar por assentado.
Para deixar de ser vítima nada melhor do que sentarmos e escrevermos em uma folha nossa própria lei. Faça uma lista de coisas que você não permitirá mais. Este deve ser seu código pessoal a partir de agora.
Deletar tudo aquilo que é danoso em nossa vida  e construir  o paraíso da felicidade, para isso temos a resiliência e a fé no Eterno e Todo-Poderoso. Transforme-se no herói de sua própria história. Vitimista jamais, e sim uma vida plena com saúde física, emocional e espiritual!
Frei Inácio José do Vale
Irmãozinho da Visitação
Psicanalista Clínico
Professor e Conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião

Fontes: