segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O CAPITALISMO DO RIDÍCULO



O cinismo, o individualismo, a narcisismo, o hedonismo e a idolatria do consumo configuram o capitalismo do ridículo. Ser é aparecer para ser curtido, acompanhado, usado e depois descartado. Como dizia o pensamento grego: “vamos comer, beber, ao bacanal porque amanhã morreremos”. Esse capitalismo do ridículo conduz seres “mortos” pela geografia dos centros de compras que são verdadeiros cemitérios. A dívida sufoca e mata! 

O deboche, a farsa da apresentação de ser elegante, pomposo, está na moda, antenado, atualizado, no entanto, algemado pelos débitos, não passa de uma vida sem caráter, de mentiras, de total vazio, um verdadeiro escravo do mercado e um fantoche nas mãos da mídia e da galera louca, imbecil e escrava da “Elite Dominante”.

O prazer, a alegria, a amizade e a felicidade são trocas passageiras de uma sociedade  enganada que não tem tempo para as coisas profundas, sólidas, autênticas, duradouras e eternas. O fútil, o artificial, o virtual e o descartável reinam imperiosamente de tal forma que elimina o que é canônico, ortodoxo, oficial e tradicional. 

A desconstrução da dignidade da pessoa humana pelo capitalismo do ridículo é tão devastadora que os poderes constituídos se rendem a cultura de morte. Esse capitalismo do ridículo em certos seguimentos religiosos está vivenciado via a teologia da libertação, fazendo do sagrado uma mercadoria de barganha.

Diz a sentença latina: “Camelus, cúpiens córnua, aures pérdidit” – O camelo, desejando chifres, perdeu as orelhas, ou seja, “quem tudo quer, tudo perde”. Nesse ridículo capitalismo, todo mundo quer o seu objeto do desejo, sua vantagem, ter o primeiro lugar em tudo, o egocentrismo conectado com a ostentação e a banalidade fazem querer tudo agora, não suporta esperar, nada sem esforço, sem meta, sem foco e sem vergonha, daí perde tudo, perde a vida!

É de suma importância conscientizar, esclarecer de maneira colossal que o sistema econômico cava a cova bem profunda na alma que transfere para o indivíduo “uma vida sem sentido”. A lógica é o prazer antes do fim. Antes do fim breve, haja vícios, desventuras, remédios, clínicas, prisões, perdas, violência e muitas vezes o suicídio. Umas das maiores fraquezas dos tempos atuais é o estado emocional fragilizado. Aqui o conflito agudo faz quebrar alguns valores familiares, religiosos e sociais.

Na era das redes sociais o capitalismo do ridículo estilhaça a vida de muita gente. O desdém, escárnio e o vexame é o show de horrores. O cadáver ambulante é a espetacularização da internet! Tudo está dominado pela máquina digital. Suas ferramentas envolvem todo mundo. O ser humano como instrumento é o objeto de consumo. Torna-se propriedade, sem vida privada e sem segredo e sem saída. Das roupas de marcas e suas etiquetas, a corpos chipados e controlados. Condicionado pelo consumo de novas máquinas, manipulado pela imagem, tendo o tempo roubado, tomado pela boçalidade,  o reina o capitalismo do ridículo, corrompe e triunfa.

A ideologia do capitalismo do ridículo é usar o apagão do pensamento, ou seja, não sobrar espaço para a mente pensante, não deixar a inteligência funcionar e jamais ter como oposições intelectuais que denunciam essa ideologia mercantilista. A obra de tais intelectuais está associada ao profetismo de denunciar essa cultura de morte e anunciar o projeto do Reino de Deus. O Reino de Deus é justiça, paz, comunhão, igualdade, vida plena e eterna. Só o amor, a simplicidade, a humildade, a verdade, a fé e a sabedoria divina nos livram desse capitalismo e nos torna pessoa solidária.

Pe. Inácio José do Vale
Professor, psicanalista e conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

domingo, 16 de outubro de 2016

VIDA ANACORÉTICA OU CENOBÍTICA?


(Set. 2016)

Paulo Donizeti Siepierski, em seu livro “A leitourgia libertadora de Basílio Magno”, ed. Paulus, 1995, diz, à página 43, que “Embora tivesse florescido na última parte do século 3º, no início do século 4º, o monasticismo pode ter suas origens traçadas pelo menos até o profeta Elias, quase mil anos antes”.
Nos séculos 3º e 4º havia muita escravidão social e econômica nas cidades e nos campos, muita cobrança de impostos, muita exploração por conta do governo, e as pessoas “fugiam” do mundo civilizado e iam para o deserto, principalmente sob a perseguição promovida por Diocleciano.
“Os pobres e às vezes comunidades inteira retiravam-se para o deserto ou para os pântanos, para escapar da opressão” (pág 44).
A palavra usada para descrever essa retirada para o deserto era “anacoresis” e daí vem a palavra “anacoreta”, pessoa eremita.
“A obediência aos mandamentos do Senhor leva a um monasticismo claramente marcado pelo espírito de pobreza e simplicidade, pelo senso de serviço aos outros através de tarefas humildes, pelo trabalho árduo para ganhar a comida (...) e para estender nossas mãos aos pobres,(...) pelo ascetismo rude, inspirado somente pelo amor de Cristo, e as reivindicações de seus mandamentos, por oração contínua nutrida pela meditação nas palavras da Escritura, por algumas observâncias, também marcadas pela influência do evangelho” (Julien Leroy, citado à página 45 ).
São Basílio Magno (329-379), São Bento (480-547) e Thomas Merton (nasc.31/01/ 1915, Prades, França; Falecimento: 10/12/1968, Banguecoque, Tailândia), diziam que a vida cenobítica (=vida comunitária) é superior à vida anacorética (=vida solitária, eremítica), pois precisamos estar em contato com outras pessoas para exercitarmos o amor cristão (a Deus e ao próximo), em que nossos erros são apontados e vençamos a nossa autossuficiência. “Precisamos uns dos outros” (S. Basílio).

Portanto, quem quiser dar uma de eremita, nunca abandone a comunidade, paroquial ou de outra espécie, a que pertence. 

MOMENTOS DE DESERTO


(Setembro 2016)

As fraternidades Jesus-Cáritas, baseadas no carisma do Beato Carlos de Foucauld, têm, em seu diretório, a orientação para que todos os seus membros façam um dia mensal de deserto.
Eu, pessoalmente, sempre tive uma dificuldade imensa de fazer o dia todo de deserto e, sinceramente, não acho tão relevante que seja o dia todo. Prefiro fazer, mais vezes, momentos de deserto, com duração de uma ou duas horas, ou mesmo a metade de um dia. Acho mais produtivo!
Quanto a fazer o dia todo, das 8 às 16 hs, por exemplo, poderia ser feito nos dias de retiro e de assembleia das fraternidades e um dia por semana no mês de Nazaré.
Será que os membros das fraternidades fazem um dia de deserto mensalmente, como reza a regra? E, se há dificuldade, por que não fazê-lo em menos tempo, mas fazê-lo?
Minhas ações, atualmente, são muito limitadas, mas procuro fazer pelo menos a manhã de deserto aos sábados, e isso tem-me ajudado muito, nos últimos treze anos. Eu emendo o momento de deserto com a Hora Santa.
Não consigo me isolar do barulho de onde moro, nem ficar sozinho, mas o próprio Jesus teve que se acostumar a isolar-se mesmo no meio de muitas pessoas e confusão, como lemos em Lucas 9,18: “Estando Jesus orando A SÓS, no MEIO dos discípulos...” Ou seja, ele lse isolou apenas mentalmente, mas continuou materialmente no meio da multidão.
Acredito que seja uma solução para os que não encontram um dia todo para isolar-se no dia de deserto, principalmente porque os momentos de deserto podem ser feitos mais amiúde. Quem é novo na área, veja o dia de deserto nestes links:  deserto, lugar de encontro com Deus;                 experiência do deserto;  o silêncio e a solidão;   o dia de deserto


sábado, 15 de outubro de 2016

DEUS E OS ÚLTIMOS

“Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos o observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: “Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (…). (Do Evangelho do 22.º Domingo do Tempo Comum, Lucas 14, 1.7-14)
Nosso Senhor Jesus Cristo surpreendia os bem-pensantes: era um rabino que gostava dos banquetes, apreciava estar à mesa, ao ponto de ser chamado «glutão e bebedor de vinho, amigo de pecadores» (Lucas 7, 34); fez do pão e do vinho os símbolos eternos de um Deus que faz viver, do comer juntos uma imagem feliz e vital do mundo novo.
Dizia aos convidados uma parábola, notando como escolhiam os lugares mais importantes. Os fariseus: tão devotos, tão austeros em relação à aparência, e por dentro devorados pela ambição. Jesus critica-os, citando um passo famoso, extraído da antiga sabedoria de Israel: «É melhor que te digam: “Sobe para aqui” do que seres humilhado diante de um príncipe» (Provérbios 25, 7).
Dizia: quando fores convidado, vai para o último lugar, mas não por humildade ou por modéstia, mas antes por amor: coloco-me depois de ti porque quero que tu sejas servido antes e melhor. O último lugar não é uma humilhação, é o lugar de Deus, que «começa sempre pelos últimos da fila» (S. Orione); o lugar daqueles que querem assemelhar-se a Jesus, que veio para servir, e não para ser servido.
Jesus reage à eterna corrida aos primeiros lugares opondo «a estes sinais do poder o poder dos sinais». Uma expressão de Dom Tonino Bello, bispo italiano e ex-Presidente da Pax Christi,  que ilustra a estratégia do Mestre: vai para o último lugar, não por um sinal de indignidade ou de desvalorização de ti, mas por sinal de amor e de criatividade. Porque gestos destes geram uma reviravolta, uma inversão de rota na nossa história, abrem o caminho para um modo de habitar a Terra totalmente outro. Acolhe aqueles que ninguém acolhe, dá àqueles que nada te podem restituir. E serás feliz porque não têm o que te dar em troca (1).
CHARLES DE FOUCAULD
“Humildade de Jesus: imitemo-Lo. Busquemos o último lugar... fazermo-nos  pequenos...  Pelo exemplo, a humildade, o abaixamento, a vida escondida...”.
Charles de Foucauld
Meditações sobre o Evangelho (2)

Vivemos numa era em que o sistema religioso está tomado pela espetacularização. A  espiritualidade de Charles de Foucauld é um contraponto para quem busca o testemunho  evangélico no silêncio da oração, no deserto, no serviço aos pobres, no anonimato inspirado na vida oculta de Jesus em Nazaré. A busca do primeiro lugar é incompatível com a caminhada foucauldiana e é um escândalo ao ensinamento do Evangelho de Cristo. É da doutrinação ortodoxa saber que toda honra, glória, louvor, adoração e majestade pertencem a Santíssima Trindade.
A busca do primeiro lugar está conectada ao poder, ao domínio, a idolatria do dinheiro e a luxúria. Nesse contexto, a fama, a glória e o troféu é a realização carnal, egoísta do narcisismo e do hedonismo. O fato de o religioso ser assim torna-o muito pior do que o não religioso. No campo da religião tal prática é uma abominação que fora dele não há igual!
O Senhor bom Deus não associou a salvação à ciência, à inteligência, à riqueza, ao poder, a uma longa experiência religiosa de ritos, sacrifícios, pagamentos de promessas, peregrinações e atos grandiosos, e nem a dons espetaculares. Associou-se sim,  àquilo que estão ao alcance de todos os seres humanos de todas as idades e classes, raças,  tribo e em qualquer lugar ou em qualquer  situação em que a pessoa esteja vivendo. Todos são acolhidos nos braços amorosos do Pai misericordioso. É em Jesus que nos fazermos pequenos, de tomarmos o último lugar, de obedecermos; que liga ainda à pobreza de espírito, à pureza de coração, ao amor da justiça, ao espírito da paz e de comunhão (Mt 5,3ss).
A soberba, a exaltação, o pedantismo e a síndrome do Facebook, (ser imagem para aparecer) não combinam de forma alguma com a humildade, simplicidade, pobreza e com espírito da Família de Nazaré. Não é compatível a vida evangélica com o show mundano. Não há nenhuma conexão do seguidor do Reino de Deus com o reino capitalista de Satanás.
Conselho de Charles de Foucauld: “Lembremos sempre uns aos outros esta história dupla: a das graças que Deus nos deu pessoalmente desde o nascimento e a das nossas infidelidades; e aí acharemos […] motivos infinitos para nos perdermos, com ilimitada confiança, no Seu amor. Ele ama-nos porque é bom, não porque somos bons; não amam as mães os filhos desencaminhados? E muitas razões havemos de encontrar para nos enterrarmos na humildade e na falta de confiança em nós próprios. Procuremos resgatar um pouco os nossos pecados pelo amor ao próximo, pelo bem feito ao próximo. A caridade para com o próximo, os esforços para fazer bem aos outros são um excelente remédio a opor às tentações: é passar da simples defesa ao contra-ataque”.
Pe. Inácio José do Vale
Fraternidade Sacerdotal JesusCáritas
Irmãozinho da Fraternidade da Visitação de Charles de Foucauld

Notas:

(2) Foucauld, Charles de. Meditações sobre o evangelho. Tradução de Nuno de Bragança. Lisboa: Círculo do Humanismo Cristão, 1962, pp. 112 e 113.s Últimos

OS LEIGOS DEVEM SER APÓSTOLOS


Bem-aventurados Charles de Foucauld (1858-1916), padre, eremita e missionário no deserto africano. Apóstolo do Saara.
Carta a Joseph Hours, 03 de maio de 1912.

Começou a enviá-los
Ser apóstolo, mas por que meios? Por aqueles que o Senhor põe à disposição de cada um: os padres têm os respectivos superiores, que lhes dizem o que devem fazer. Os leigos devem ser apóstolos para com todos aqueles a quem podem chegar: parentes e amigos, mas não só eles; a caridade não é estreita, alcança todos àqueles que o Coração de Jesus abraça.
Por que meios? Pelos melhores, tendo em conta aqueles a quem se dirigem: com todos aqueles com quem se relacionam, sem excepção, pela bondade, a ternura, o afeto fraterno, o exemplo de virtude, a humildade e a doçura, sempre atraentes e tão cristãs. Com alguns, sem lhes dizer nunca uma palavra sobre Deus ou sobre religião, tendo paciência como Deus tem paciência, sendo bom como Deus é bom, sendo um irmão terno e rezando. Com outros, falando-lhes de Deus na medida em que conseguem atingir; a partir do momento em que chegam à ideia de procurar a verdade pelo estudo da religião, pondo-os em contato com um sacerdote bem escolhido e capaz de lhes fazer bem. Sobretudo, vendo em cada homem um irmão.
Disse Charles de Foucauld: “Minha missão deve ser o apostolado da bondade. A meu ver, deverão dizer 'Já que este homem é tão bom, também sua religião deve ser boa'. Se alguém me perguntar por que eu sou manso e bom, deverei responder: 'Porque eu sou servidor de um outro que é muito melhor do que eu. Se soubesse como é bom o meu Mestre Jesus!'. Quero ser tão bom que possam dizer de mim: 'Se o servidor é assim, como não será o Mestre!”.
À PROCURA DA OVELHA PERDIDA
Charles de Foucauld (Retiro em Nazaré, Novembro de 1897)
À procura da ovelha perdida
Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. […] A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. […] Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.
Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo em que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. […] Os perigos da viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Ó meu Deus, como tínheis a vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.
Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo vosso. […] Foi a vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta, para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, ó Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o vosso inimigo.
Disse Charles de Foucauld: “Ser tudo para todos, com um único desejo no coração: o de dar Jesus às almas”.
CONCLUSÃO
O grande marco na vida de Charles de Foucauld foi ir ao encontro do outro, seja perto ou longe, conhecido ou desconhecido, religioso ou não, pobre ou rico, livres ou escravos, amigos ou inimigos, no entanto, o mais importante é ser testemunha de Cristo como “Irmão Universal”. O Evangelho proclamado com a vida revelando ardentemente a busca do Absoluto. Ir ao encontro do outro é viver numa dimensão do amor que uni, que promove a paz, que a justiça é para todos, que a fraternidade conecta com todo bem comum e que a graça e a fé cristã são recebidas pela misericórdia do Pai Eterno. Charles de Foucauld viveu a cultura do encontro, se junta com o outro em prol da comunhão, trabalhando a caridade com todos e sendo irmãos e amigos de todos. Sua missão era de compaixão pelos mais desfavorecidos, os últimos. Em Charles de Foucauld aprendemos a arte de ser e fazer amigos. Sua vida evangélica é uma Boa Nova de construir amizade comunitária e para vida eterna.
Pe. Inácio José do Vale
Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas
Irmãozinho da Visitação da Charles de Foucauld